terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

MANDRAKE ENTRE AS MÚMIAS E A ESPIONAGEM



Quem nesta vida já não leu um gibi ou uma tirinha de jornal? Quem nunca leu, bom sujeito não é! Não deve ter imaginação nenhuma... ainda há tempo, leia!

Saindo dos horrores deAuschwitz, entrei de cabeça na leitura das aventuras do mágico Mandrake e seu parceiro Lothar. Mandrake é um herói do tipo “bom moço” – comportado. Lothar, um escudeiro leal. Pau para toda obra,com poderes simples e diferentes dos heróis de hoje. A principal arma do ilusionista é a hipnose, a qual usa para obter a verdade dos malfeitores. Eles não resistem ao olhar hipnotizador de Mandrake, entregam rapidinho todo o jogo maléfico. As tiras diárias de Mandrake começaram a ser publicadas na década de 1930. O criador do personagem foi Lee Falk...Recebi de presente do Edílson (meu amigo livreiro, um vendedor de sonhos) um almanaque com duas histórias do extraordinário Mandrake: “Mandrake entre as múmias” e “Fábrica de boatos”. Boas histórias. Não sei se as crianças ainda colecionam gibis – talvez, hoje, tenham recebido outros nomes.Eu e meu samigos colecionávamos gibis e fazíamos trocas daqueles que não tínhamos. Essa troca de gibis era um momento de diálogo e convencimento. Alguns amigos com mais dinheiro vendiam seus gibis a preço de ouro (risos). O interessante do gibi é que ele despertava a leitura,mesmo que sua intenção não fosse essa. A primeira história leva o leitor a um passeio pelas pirâmides e os mistérios do Oriente. Um tempo tão diferente e distante da nossa cultura. “Fábrica de boatos” vem carregada de um viés ideológico– viés ideológico agora é moda! Mandrake tem a missão de descobrir, para o governo americano,boatos falsos espalhados por um centro de nazistas infiltrados no país, para desmoralizar os soldados que estão no front da Segunda Guerra Mundial. A intenção dos nazistas é criar confusão e confundir os americanos,colocando a tropa americana em descrédito. Mandrake e seu ajudante Lothar são imbatíveis. Desvendam a fábrica de boatos nazista e seu QJ e ganham a luta. Muita emoção. Vale a pena ler.

P.S.: outra habilidade do ilusionista Mandrake é se tornar invisível. Os inimigos ficam desorientados diante de tal poder.




sábado, 16 de fevereiro de 2019

NADIR BUARES: UM ADEUS...

Esta semana foi de notícias tristes, com a partida de gente querida... neste sábado chuvoso e nublado, recebi a notícia que minha amiga Nadir Buares faleceu. Uma mulher além do seu tempo, determinada em suas posições políticas quando se tratava da defesa dos direitos fundamentais da vida. Uma forte ligação com a Igreja Católica no final da década setenta e em oitenta militou bravamente na organização das sociedades de base em Cotia,enfrentando preconceito, incompreendida por ser mulher e pela sua atuação política.  Estivemos em muitas lutas juntos. Uma mulher corajosa! Esteve à frente da fundação e da organização do Conselho Tutelar de Cotia. Militou ativamente durante anos e salvou muitas vidas dos descaminhos da droga e da violência familiar. Uma mulher extraordinária. Com ela se construiu uma parte da democracia brasileira. Nadir, a sua luta ainda não terminou.Neste exato momento você faz parte do exército de anjos que defendem a paz. Deus, o senhor está recebendo uma mulher ética e a serviço do bem. Saudades... 





MEMÓRIAS DE COTIA E OUTRAS CONVERSAS: PRIMEIRA LEITURA DOANOGanhei de presente de Natal...

MEMÓRIAS DE COTIA E OUTRAS CONVERSAS: PRIMEIRA LEITURA DOANO
Ganhei de presente de Natal...
: PRIMEIRA LEITURA DO ANO Ganhei de presente de Natal uns livros do meu amigo Edilson , livreiro e morador de Curitiba (livreiro é uma ...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

BRUMADINHO: VOZES QUE PEDEM SOCORRO


Àqueles que usam as redes sociais para criar fake news sobre uma tragédia que causa tanta dor, registro minha indignação. O mundo precisa de gente decente. 

As montanhas das Minas Gerais choram seus mortos... Aconteceu um crime.Após o rompimento das barragens na cidade de Brumadinho (leiam: Vale), os moradores se perguntam quando acontecerá a próxima tragédia. Quando? Nas ruas de Brumadinho uma senhora de cabelo branco, atônita,caminha em busca do sobrinho que tinha um apreço como se fosse seu filho. Ela chora copiosamente e tem a esperança de que ele pode ser encontrado ainda com vida. Ela não encontrará seu sobrinho com vida. Infelizmente.

Os bombeiros deslizam solitários sobre a lama vermelha em várias tentativas na busca de sobreviventes. Salvam vidas. Nessas tentativas incansáveis também encontram corpos e mais corpos. Não desistem. Cada corpo encontrado tem alguém esperando...tem uma história. Nessa hora, qualquer ajuda é bem-vinda, de qualquer lugar do mundo. Os rios próximos e mais distantes das barragens agonizam. Os ribeirinhos perguntam o que será das suas vidas com os rios visivelmente mortos. Catástrofe.

Uma senhora com sotaque acentuado no jeitinho mineiro de falar não têm mais esperança de encontrar o marido vivo.Reclama a presença do corpo para enterrá-lo com dignidade e decência. Dos seus olhos saem rios de lágrimas. Os moradores de Brumadinho vitimados se desesperam diante da falta de informação. Parece que a Vale os trata com pouco caso. Desumanização.

Esquecemos nossas tragédias rapidamente: Boate Kiss, a tragédia de Mariana (Leiam: Samarco), o prédio em São Paulo que desabou sobre seus moradores, os morros que desabaram sobre seus moradores na cidade do Rio de Janeiro. Os filhos choram a morte dos seus pais,os pais choram a mortes dos seus filhos. E a justiça anda lentamente. Em alguns casos parece que o crime compensa. Mas são vidas humanas!

Os processos seguem esquecidos nas gavetas dos tribunais. Andam a passos de tartaruga. Os responsáveis pelos crimes sabem da lentidão da justiça. Sabem que a justiça está do lado de quem tem poder econômico. Pagam bons advogados. A vida humana pouco importa para eles. Importam-se muito mais com os recursos que a legislação permite,que evita que eles paguem indenizações. Os processos são empurrados lentamente com a barriga. Enquanto isso, em Brumadinho, centenas de crianças neste exato momento pedem a volta dos seus pais. Choram.

A copeira da diretoria da Vale denuncia veementemente que eles sabiam que um acidente poderia ocorrer. Ela ouviu a conversa de alguns diretores para burlar a legislação. Quem tem que fiscalizar não fiscaliza. Corrompe-se. Samarco e a Vale financiaram partidos políticos e candidatos em todas as esferas. Mancham o nome das cidades onde estão instaladas. Lucro a qualquer custo. Existe tecnologia avançada para minimizar o impacto ambiental. Não usaram novas tecnologias a tempo, pois o custo é maior. Desumano. Como ficam os moradores desta região diante dessa tragédia?

Que se faça uma homenagem justa aos bombeiros e voluntários que estão trabalhando muito além dos seus limites. Uma homenagem justa para os voluntários que recolhem e cuidam de animais. Estes são heróis de verdade.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

PRIMEIRA LEITURA DO ANO

Ganhei de presente de Natal uns livros do meu amigo Edilson , livreiro e morador de Curitiba (livreiro é uma profissão em extinção, mas resiste bravamente ao tempo). Sempre quando me visita, traz livros (considero mimos) de todos os gostos e presenteia minha família. Um gentleman. O livro com que fui presenteado trata de tolerância e intolerância, um assunto atual,embora essas duas palavras acompanhem toda a humanidade...Uma das leituras era uma reflexão sobre o Campo de Concentração de Auschwitz-Birkenau. Li o livro de cabo a rabo...Comovente. A escritora, Eva Schloss, relata o tempo em que passou no Campo de Concentração Auschwitz-Birkenau, com sua família – exemplo de resistência. Não pense que é uma leitura tenebrosa ou mesmo deprimente, mas sim uma experiência de vida que deve ser compartilhada,vivenciada por aqueles que não estiveram em um campo de concentração e, também, por quem sofre algum tipo de preconceito. Deve ser lido por aqueles que, inconsciente ou conscientemente,espalham intolerância e ódio. Eva Schloss descreve com delicadeza e transparência o antes e o depois do nazismo na Alemanha e na Europa. Uma retomada pela vida extraordinária e a militância ao contar sua história... A intolerância leva a atitudes irracionais e inimagináveis sobre a integridade humana.Leiam. Afinal, como queremos viver? Uma boa leitura!

Obs.: já estou viajando em outro livro pelo Oriente, nas aventuras do Senhor Mandrake. Aguardem!














sábado, 24 de novembro de 2018

ESTÃO ASSASSINANDO NOSSOS JOVENS...


É difícil aceitar a morte de alguém que guardamos afeto em qualquer idade. Imagine de um jovem! Um pai que tem um filho morto violentamente sente todas as dores do mundo. Uma mãe que tem um filho morto violentamente sente a dor do parto. Os pais que têm um filho morto prematuramente, de forma brutal, morrem lentamente. Quando assistimos a um jovem sendo morto a pauladas pela torcida adversária sem qualquer piedade, nos indignamos. Ele tinha uma vida pela frente! Pensamos. Ele ou ela poderia ser um médico. Poderia exercer qualquer outra profissão. Tinham tempo para isto. Poderia ser um bom pai. Poderia ser uma boa mãe. Tempo. O tempo foi encurtado por um psicopata. O tempo foi encurtado por um bando de psicopatas. O que dói é saber que tinham uma vida pela frente.

Quantos pais lamentam a morte de seu filho, que aconteceu de forma trágica. Quantos pais neste exato momento lamentam com a voz embargada e o choro doído, dispostos a estar no lugar do filho! Suplicam a Deus uma explicação. Por que, meu Deus? Os nossos filhos saem de casa para baladas e festas e não voltam. Ficamos em casa com uma angústia que vai aos poucos alterando nossos sentidos. Boca seca. Insônia. Uma sensação de que alguma coisa ruim pode acontecer. Uma sensação de que algo ruim já aconteceu. Intuição de pai e de mãe não falha. Tem gente neste mundo que não gosta de juventude. Mata por amor. Quem ama não mata. Mata porque tem o outro como posse, como se fosse um objeto. Mata covardemente. Mata por causa de um celular. Quantos sonhos aniquilados, violentamente...

Quantos pais neste exato momento abraçam a roupa do filho que partiu brutalmente. Para sentir o cheiro. Não se desfazem dos pertences do filho para sentir sua presença. Para lembrar com saudade do filho que não volta mais! Criamos nossos filhos em uma redoma. Protegemos para que não sofram. Esquecemos de dizer que no mundo real existe gente boa e ruim. As drogas estão matando nossos filhos. Pedófilos e estupradores estão soltos. Os pais são responsáveis pela educação dos filhos, sim! Mas o Estado tem que proteger a vida dos nossos filhos. Todos os dias matam os nossos filhos. Um dia é bala perdida outro é atropelamento. A nossas filhas estão sendo assassinadas todos os dias. Viram apenas estatísticas. Os números são frios. A vida é quente. A vida não pode ser encurtada dessa maneira. A vida foi concebida para ser vivida por inteiro e com intensidade.

Os programas sensacionalistas adoram colocar nossos filhos mortos violentamente. Dá ibope! Fazem do sofrimento da família uma novela. Exibem incansavelmente a tragédia. Desrespeito. Insinuam. A dor de um pai quando perde seu filho lateja para sempre na sua alma. A dor de uma mãe que concebeu seu filho e o vê morto violentamente a faz sangrar todos os dias. A legislação é omissa. Desumanização. O consumo cego e exagerado não pode valer mais que a juventude. É preciso urgentemente defender um Manifesto pela Vida!

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

TOTEM ELETRÔNICO




Ao chegar ao aeroporto de Cumbica, no início de uma madrugada, deparei-me com dezenas de totens eletrônicos e centenas de pessoasdigladiando-se com eles. Uma loucura! Corri os olhos desesperados no amplo ambiente com a intenção de localizar um atendente, mas não encontrei. O desespero aumentou... Ao lado dos totens, um rapaz atendia simpaticamente as pessoas angustiadas postadas emuma fila imensa,para tirar dúvidas de como usar aquelas maquininhas esquisitas. Até mesmo estranhas! O atendente dizia “... senhores ou senhoras”, com a maior tranquilidade do mundo, diante dos rostos apreensivos dos viajantes que desejavam fazer o check-in,“coloquem a mão no visor do totem e sigam o procedimento... Ele vai indicar aos senhores os passos seguintes”.Foi a mesma coisa que não dizer nada. Absolutamente nada! Para esconder minha ignorância, fiz de conta que tinha entendido tudo sobre aquele monstro eletrônico, bem ali na minha frente. Juro que passou uma vontade quase incontrolável de chupá-lo (rs).

Toquei o dedo no visor do totem e ele indicou o procedimento seguinte... Fiquei mais confuso ainda. Não entendi quais os passos que deveriam ser dados diante daquela tela toda colorida,para realizar o tal check-in. Quando você não consegue pensar, o corpo padece. Fiquei com as mãos geladas e suando pra caramba com medo de perder o voo.Bateu uma sensação de incompetência,achando-me o maior ignorante da face da terra. Mesmo assim não desisti! Disfarçadamente voltei para o final da fila e fiquei prestando atenção como as pessoas faziam o check-in. Muitos viajantes voltavam ao atendente do lado e pediam auxílio. Alguns pediram auxílio várias vezes... E a fila ia aumentando a cada minuto. O horário do embarque estava chegando. Desespero total. Eu olhando atentamente... Um viajante,com cara de adolescente, em menos de dois minutos fez seu check-in com a maior facilidade. Com os pés nas costas. Pensei em pedir ajuda para aquele jovem, mas fui contido pela vergonha e pelo orgulho! Imagine que eu mostraria meu analfabetismo tecnológico daquela forma. Nunca! Ilusoriamente, queria manter minha dignidade, mesmo com a possibilidade de perder a viajem para Andaluzia (rs).

Faltava pouco para, novamente, tentar,com sucesso ou não,o check-in. Desolado, imaginava que perderia aquela viagem fascinante por culpa da tecnologia. O suor tomara conta de todo o corpo, deixando a camisa encharcada. Não conseguia respirar direito. A falta de ar no cérebro deixa qualquer um quase imobilizado. Não estava sozinho nesse sofrimento!Atrás de mim uma senhora já tinha entrado pela terceira vez na fila. O seu semblante era de humilhação. Um rosto com semblante apavorado. Pensei, com certa irritação,“imagina que vou deixar essa máquina esquisita me vencer”. Jamais! Chegou a minha vez... Quando levantei a mão para colocar o dedo na tela do totem eletrônico, uma voz angelical disse “o senhor está precisando de ajuda?”. Sim! Sim! Sim! A atendente educadíssima em poucos segundos resolveu o sofrimento que me afligia há quase uma hora. Aquele sentimento de alívio e incompetência, ao mesmo tempo, desapareceu. A senhora atrás de mim na fila era só alegria. Embarquei pensando na volta.Quando chegasse em casa, teria uma aula com minha filha de 11 anos sobre como mexer com esses monstrengos eletrônicos (rs).

P.S.:na próxima viagem gostaria de encontrar mais gente de carne e osso para ajudar meu analfabetismo eletrônico.